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Diagnóstico nos atrasos do desenvolvimento: "O que ele tem?"

Atualizado: 18 de jun. de 2020

Resumo da live "Importância do Diagnóstico Precoce no Autismo e Atrasos do Desenvolvimento?" (assista aqui)



 

Pontos principais:

  • Diagnósticos (como transtorno do espectro autista ou atraso global do desenvolvimento, por exemplo) são classificações com base nos sinais e sintomas da criança e não falam sobre a causa do atraso ou sobre o futuro desenvolvimento.

  • A busca pela causa do atraso não deve atrasar o tratamento.

  • O tratamento do atraso deve ser voltado para as dificuldades específicas de cada criança

  • Muitas vezes pais e profissionais falam sobre as mesmas coisas de forma diferente, se algo não ficou claro, é só perguntar.

 

A comunicação é uma das principais dificuldades do consultório e do dia-a-dia: Quando duas pessoas usam a mesma palavra com significados diferentes a chance de desentendimento é muito grande. Por isso gostaria de conversar sobre a palavra "diagnóstico".


Quando alguém nota um atraso no desenvolvimento de uma criança, se inicia a busca por um diagnóstico, na tentativa de responder a algumas perguntas:


“O que ele tem?”

Para a família o diagnóstico se resume à pergunta acima, que é uma tentativa de responder 3 perguntas: “Por quê isso aconteceu?”, "O que eu faço?”e “Como será o futuro dele?”, mas será possível responder estas perguntas com apenas um diagnóstico?


"Já há critérios para fechar algum diagnóstico?"

Para o médico (neuropediatra ou psiquiatra infantil) há 3 tipos de diagnóstico:

  • Topográfico: diz aonde está o problema. Exemplo: uma criança que demore a andar pode ter um problema no sistema nervoso ou nos músculos.

  • Etiológico: diz que causou o problema. Exemplo: a causa da Síndrome de Down é genética. Seria a resposta à pergunta "por quê isso aconteceu?"

  • Sindrômico: Caso o conjunto de sinais e sintomas da criança já tenha sido descrito e possua um nome específico, esse nome será o diagnóstico sindrômico (exemplos: transtorno do espectro autista, atraso global do desenvolvimento ou transtorno global do desenvolvimento). É uma forma de facilitar a comunicação entre os profissionais e uniformizar os protocolos de pesquisa, especialmente nos casos sem uma causa bem estabelecida (ou seja, sem diagnóstico etiológico e/ou topográfico claro).

Nos transtornos do neurodesenvolvimento, em geral, é muito difícil estabelecer os diagnósticos etiológico e topográfico, já que são condições multifatoriais (associação de vários fatores para causar este resultado). Então, quando a família ou os terapeutas perguntam "o que ele tem?" a resposta normalmente é o diagnóstico sindrômico.


"Qual a melhor linha de intervenção?"

Para o terapeuta ou escola o diagnóstico sindrômico ajuda a guiar as formas de trabalho, porém a busca por um diagnóstico específico não deve atrasar o tratamento.


Como é feito o diagnóstico sindrômico dentro dos atrasos do desenvolvimento no Brasil?


Os parâmetros mais utilizados no Brasil para o diagnóstico sindrômico dos transtornos do neurodesenvolvimento são os do DSM-5 (O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais é um manual feito pela Associação Americana de Psiquiatria)


São mais de 20 diagnósticos sindrômicos, distribuídos em 8 categorias principais, mais os especificadores de gravidade.


É muito frequente encontrar mais de um transtorno na mesma pessoa, já que esses diagnósticos são classificações estabelecidas a partir do comportamento dos indivíduos.


Há correlação com as classificações (F70 ao F99) da CID 10, que é utilizada em estatísticas e documentos.


Você tem alguns diagnósticos mais específicos em que se deve preencher todos os critérios e excluir outras coisas (exemplo: transtorno do espectro autista, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Há também diagnósticos para os que não se enquadram nos diagnósticos especificados, diagnósticos mais amplos (exemplo: transtorno do global do desenvolvimento) e diagnósticos provisórios (exemplo: atraso global do desenvolvimento).




Diagnóstico precoce


A percepção dos atrasos do neurodesenvolvimento, tem sido mais precoce a cada ano. Hoje no consultório, em Guarulhos, as crianças são trazidas entre 1 ano e meio e 2 anos e meio de idade. Idades ótimas para intervenção, o que melhora o prognóstico (as crianças tendem a evoluir melhor).

Nessas idades aumenta a chance de uma classificação mais genérica, pois é mais difícil preencher os critérios para um diagnóstico específico.


Vamos ao exemplo do Autismo


Transtorno do espectro autista (TEA):

No DSM-5 é uma de 21 opções de diagnóstico dos transtornos do neurodesenvolvimento, caracterizado por:

  1. Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos

  2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades

  3. Sintomas devem estar presentes precocemente no período de desenvolvimento (não especifica idade)

  4. Sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou outras áreas

  5. Não são mais bem explicadas por deficiência intelectual ou transtorno global do desenvolvimento.

O critério 1 é influenciado por questões ambientais (falta de oportunidades de socialização e pouco estímulo de linguagem, por exemplo) e o critério 5 pela dificuldade de aplicar testes padronizados.


Então, é possível passar anos com um diagnóstico amplo como transtorno global do desenvolvimento (F84) ou atraso global do desenvolvimento (F88). Mas isso não implica em atrasar intervenções, estas devem ser iniciadas assim que se notar um atraso, sempre com a participação ativa da família.


Um diagnóstico inicial mais amplo não deve limitar as opções terapêuticas. Uma boa intervenção se baseia nas necessidades da criança e nas possibilidades da família, um diagnóstico específico deve guiar, não restringir as possibilidades de tratamento da criança.


Prognóstico: Então, qual a será o futuro? Será que ele vai ser independente? Vai conseguir se comunicar bem? Será que ele vai ser feliz?

O diagnóstico sindrômico isoladamente não nos dá essas respostas, já que é apenas uma classificação de um conjunto de sinais e sintomas. Cada ser humano é único e as abordagens devem ser voltadas para as dificuldades e potenciais daquele indivíduo


"Um erro comum no raciocínio diagnóstico é aceitar um diagnóstico antes que ele esteja plenamente comprovado (fechamento prematuro)" - DeJong


Materiais recomendados durante a live:


Aja cedo: e-book com dicas para estimulação, sinais de alerta e marcos do desenvolvimento. Disponível para download na página da sociedade brasileira de neurologia infantil


Cartilha Autismo e Educação: Disponível para download na página Autismo e Realidade


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